quinta-feira, 16 de junho de 2011

COMENTANDO SOBRE O ÍCONE DA TRINDADE



O ícone da Santíssima Trindade foi "escrito" pelo santo monge russo Andrej Rublev. Ele nasceu por volta de 1365 e morreu por volta de 1430.Rublev foi testemunha de um acontecimento importante na história do seu povo: a libertação do povo russo do domínio dos tártaros. Ele, através de São Sérgio - abade e pai espiritual - desenvolveu na Comunidade o amor pela Santíssima Trindade, o amor e os cuidados para com o mosteiro e a pátria.
São Sérgio tinha dedicado toda a sua vida à contemplação da Trindade. O ícone da Santíssima Trindade de Rublev expressa toda a mensagem de São Sérgio: a sua oração viva nos é apresentada em cores e luzes, e antes de tudo, a oração de Cristo de João 17,21: "... para que todos sejam uma coisa só. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti...".
Rublev consegue harmonizar perfeitamente a tradição da Igreja e o seu dom de artista colocado a disposição do povo de Deus, transmitindo a experiência da "luz divina". Antes de "escrever" o ícone ele contemplou o mistério do qual estava se ocupando com os olhos da Igreja.

EXPLICAÇÃO DO ÍCONE

“O ícone da Santíssima Trindade é um convite a sentar-se a mesa, a beber do cálice… Nada pode ser mais íntimo e comprometedor do que beber do sangue de Jesus. Esse é com certeza um convite de amigo pra amigo. No ícone, o espaço vazio da mesa é um convite aos que estão dispostos a se tornar participantes do sacrifício divino oferecendo a vida como testemunhas do amor. Só aquele que participa do sacrifício participa também da Salvação.
Na disposição dos “anjos celestes”, vemos da esquerda pra direita o Pai, com a túnica dourada, lembrando-nos sua realeza. Sua mão direita se ergue num sinal de benção ao o Filho (o do meio) e ao Espírito (o da direita) que estão totalmente voltados para o Pai numa posição de prontidão e obediência à Sua Vontade. A túnica do filho em grande parte é de cor escarlate, fazendo referência à Sua humanidade: Aquele que mais se revelou. O altar nos recorda o mundo, o lugar do sacrifício. O filho toca o altar com dois dedos - duas dimensões, a humana e a divina. O Espírito que também se revela, porém menos que o filho, toca o altar com apenas um dedo, apenas na dimensão divina.
A contemplação desse ícone é uma maneira de compreender mais profundamente os segredos e mistérios da vida divina, de estar no mundo sem, no entanto, pertencer a ele. É um convite à “casa do amor”, casa de onde viemos e para onde voltaremos…
“Quanto mais contemplamos essa imagem sagrada com os olhos da fé, mais nos damos conta de que é pintada não como uma decoração adorável para a igreja de um convento nem como explicação útil de uma doutrina difícil, mas como um lugar santo no qual podemos entrar e permanecer. Quando nos colocamos diante do ícone em oração, experimentamos um delicado convite a participar da conversa íntima que está ocorrendo entre os três anjos divinos e nos juntar a eles em volta da Mesa. Assim orar com esse ícone leva-nos ao mistério da auto-revelação de Deus, mistério que ultrapassa a história, mas é tornado visível por ela. Mistério divino, mas também humano. Mistério de júbilo, dor e glória que transcende todas as emoções humanas, mas não deixa de tocar nenhuma delas.” (Henri J. M. Nouwen, Contempla a face do Senhor – Orar com ícones)”

(fonte: http://www.marista.org.br - autora: Lúcia L. P. Coelho)

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE



ORAÇÃO À SANTÍSSIMA TRINDADE



(Beato João Paulo II)


Bendito sejas, Pai, que em vosso infinito amor nos tem dado a vosso Unigênito Filho, feito carne por obra do Espírito Santo no seio puríssimo da Virgem Maria, e nascido em Belém faz agora dois mil anos.

Ele se tinha feito nosso companheiro de viagem e tinha dado novo significado a historia que é um caminho feito juntos, no trabalho e no sofrimento, na fidelidade e no amor, até aqueles céus novos e até aquela terra nova, na que Tu, vencida a morte, serás tudo em todos.



Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!
Faça Pai, que por tua graça o ano jubilar seja um tempo de conversão profunda e de alegre retorno a Vos; Concedei-nos que seja um tempo de reconciliação entre os homens e de redescobrir a concórdia entre as nações; tempo no que as lanças se troquem em rosas, e ao fragor das armas sucedam cantos de paz. Concedei-nos, Pai, viver o ano jubilar dóceis a voz do espírito, fiéis no seguimento de Cristo, assíduos na escuta da Palavra e na assiduidade as fontes da graça.


Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!

Sustenta, Pai, com a força do espírito, o empenho da Igreja em favor da nova evangelização e guia nossos passos pelos caminhos do mundo para anunciar a Cristo com a vida, orientando nossa peregrinação terrena a Cidade da luz. Fazei Pai, que brilhem os discípulos de vosso Filho por seu amor fazia os pobres e oprimidos; que sejam solidários com os necessitados, e generosos nas obras de misericórdia, e indulgentes com os irmãos para obter eles mesmos de Vos indulgência e perdão.


Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!
Fazei Pai, que os discípulos de vosso Filho, purificada a memória e reconhecidas as próprias culpas, sejam uma única coisa, de sorte que o mundo creia. Outorga que se dilate o diálogo entre os seguidores das grandes religiões, de sorte que todos os homens descubram a alegria de ser teus filhos. Fazei que a voz suplicante de Maria, mãe das gentes, se unam às vozes orantes dos apóstolos e dos mártires cristãos, dos justos de todo povo e de todo tempo, para que o ano Santo seja para todos e para a Igreja, motivo de renovada esperança e de júbilo no espírito.


Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo Deus!
A Vós, Pai onipotente, origem do cosmos e do homem, por Cristo, o Vivente, Senhor do tempo e da historia, no espírito que santifica o universo, a Adoração, a honra, a glória, hoje e nos séculos sem fim. Amém!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM (22 de agosto 2010)


"Proclamai o Evangelho a toda criatura" Sl 116(Sl 117)

Amigo(a) internauta:

A Palavra de Deus põe em evidência para nós um dos questionamentos que fazemos pelo menos uma vez na vida: "será que seremos salvos?". Em determinadas situações ficamos arrepiados e esse questionamento pode nos incomodar um pouco.
O que se pode ter certeza é que Deus na sua divina providência quer salvar a todos. Para nós ele abre um possível caminho de salvação, que vai se concretizando cada dia através dos nossos gestos. No Evangelho (Lc 13, 22-30), Jesus não responde categoricamente nem sim nem não à pergunta feita: "são poucos os que se salvam?" (Lc 13,23). Tal resposta depende mais de nós do que Deus. Pois Deus não se cansa de se revelar a nós, de fazer tudo o que é necessário para a nossa salvação. Ele nos oferece a salvação na qualidade de dom, um presente, mesmo sem a gente merecer. Contudo esse dom não tira o nosso esforço pessoal, nosso sacrifício e nosso empenho de acolher este dom como conquista. Em outras palavras, Deus faz a sua parte, mas é preciso que também façamos a nossa.
Uma vida folgada, isenta de preocupações, cômoda e tranquila dificilmente pode nos levar à salvação. A imagem da porta estreita sugere que o nosso caminho empenha muita labuta, muito sacrifício por algo que realmente valha a pena, e para o qual a gente deve empenhar o melhor de nós, nossas energias, pensamentos e emoções...
Pois de tudo o que se passa nesta vida, só isso vai restar: nosso amor traduzido em exemplos e a pratica da justiça.
Tem muita gente que pensa que para se dar bem e alçançar a salvação basta a boa vontade e o mínimo de esforço. Ora, numa partida de futebol ninguém ganha o jogo só jogando bem o primeiro tempo. A virada no segundo tempo pode comprometer o resultado do jogo, como foi o caso na nossa selação na copa. Tem gente que acha que não precisa esquentar cabeça no primeiro e segundo tempo, e nos acréscimos finais da vida é que deixa pra realizar aquela mudança radical, quando não deixa pro tempo de prorrogação. E ainda fica achando que Deus tem a obrigação de salvá-lo...
Deus sempre é misericordioso, sempre pronto a perdoar mediante nosso arrependimento. Contudo ele também é justo. Sua misericórdia não obstrui a sua justiça. A salvação será o encontro da misericórdia e da justiça de Deus em nossa vida.
Nisso compreendemos a Carta aos Hebreus (Hb 12, 5-7.11-13) que nos mostra um Deus que nos trata como filhos e filhas. Um pai que não deixa de corrigir os seus filhos para que possam trilhar um bom caminho. Ora, todo pai que se preza como pai, quer sempre o melhor para o seu filho, que ele possa fazer o bem e respeitar o próximo para ser feliz e fazer todos à sua volta muito felizes.
Se Deus age assim conosco, então precisamos deixar com que a sua Palavra seja critério de discernimento e luz que aponta para o caminho que Deus nos indica. Viver a fé no caminho que Deus colocou para nós, significa também gastar e desgatar a vida pela mesma causa de Jesus. Já viu uma vela iluminar sem se consumir? Não é possível! Só se ilumina consumindo. Cristão que é cristão tem que iluminar consumindo seu tempo, sua saúde e suas energias. São muitas as resistências ainda hoje. Alguns dizem: Ah eu não, ajudar na Igreja? Não tenho tempo, não tenho saúde, não tenho saco para aguentar os outros. E assim por diante...
O próprio Senhor nos diz: "Firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos" (Hb 12,12). Só na força de Deus poderemos ser apoio para aqueles que estão mancos, só na fé podemos caminhar e ajudar os outros a trilhar um caminho de salvação.
Algumas vezes fico pensando: em nossa paróquia nunca tem um mês que a gente possa dizer o seguinte - Pessoal este mês não teremos batizados! Todo mês temos batizados! Não estou reclamando de modo algum, mas convido a você a refletir: a Igreja como a barca de Jesus (ou a Arca de Noé), tá sempre acolhendo gente que pelo Batismo, começa a entrar nessa barca. Em certos momentos, quando as tempestades começam a agitar, as ondas revoltas e se aparece um furo na barca, ao invés de consertar, são tantos que depois pulam foram. Enquanto tem colete salva-vida e bóia vão pulando na água. E aqueles que ficam por último, que não tem mais colete e bóia? "Tchau e bença?". Os fiéis hoje não podem ceder a tentação de viver aquela filosofia: "Cada um por si e Deus pra todo mundo!"... Senão a gente vai ter que pensar que Jesus perdeu tempo vindo a este mundo, escolhendo um grupo de apóstolos, instruindo-os pela sua Palavra e exemplo, e depois enviando-os a pregar e a formar comunidades de seguidores para dar continuidade à sua proposta de vida.
Já são inúmeros os que dizem por aí a fora: "Eu não preciso da Igreja. Basta eu e Deus"... Ora, a Igreja continua sendo sacramento universal de Salvação. Ela não é um detalhe apenas. Ninguém se salva sozinho, nossa fé tem um caráter eclesial, comunitário.
É isto o que o Senhor pede hoje de nós: Que sejamos instrumentos amorosos da sua salvação para as pessoas. E que sejamos seus anunciadores (I Leitura) para proclamar a sua Palavra a toda a criatura, Palavra de Vida, Palavra de Salvação!

Nossa Ação de Graças por todos os cristãos leigos e leigas que atuando nas pastorais, movimentos, ministérios e comunidades não medem esforços para desgastar suas vidas pelo Reino!

Reflita nesta semana:

a) Você tem permitido que Deus toque seu coração e sua vida para que a salvação esteja cada vez mais próxima de você?
b) O que você tem feito para ajudar os outros no caminho da salvação?
c) Que testemunho de Igreja você dá? Vive inserido em algum serviço ou ministério na sua comunidade?

FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (15 de agosto de 2010)


Querido(a) Internauta

Nós nos alegramos hoje, dia 15 de agosto, pela realização e consumação do mistério pascal de Nosso Senhor na vida de Nossa Senhora. Com a festa da Assunção de Nossa Senhora, a Igreja celebra a entronização de Nossa Senhora no lugar que lhe é devido, onde ela vai ser para nós Porta do Céu, Refúgio dos Pecadores, Arca da Nova Aliança, Espelho da Justiça e tantos outros atributos que nós nos referimos a Ela quando rezamos e cantamos a ladainha durante todos os dias da novena em preparação para a Festa de hoje.
E esta Festa acende para nós e para toda a humanidade uma grande esperança, de que a nossa humanidade continua sendo a estrada fundamental do Evangelho, o caminho para que Deus torne possível a revelação do seu Amor, da sua Palavra que se fez carne em nossa carne, para redimir a nossa humanidade por inteiro. E há aqueles que no dia a dia, dizem: “nós nos valemos nada nessa vida, nesse mundo”... Quem disse que não valemos nada? Deus não fez pouca coisa ao nos criar pra gente se achar tão insignificante e a ponto de não dar valor para a maior obra que saiu de suas mãos, a vida de cada um de nós, na sua particularidade e singularidade que é própria de cada um, que faz de nós realmente pessoas especiais, chamadas a se tornar especiais na vida dos outros. Foi o que aconteceu com a Virgem Maria, alguém que soube interpretar ao longo da vida e da história, esse algo especial contido em seu coração, a ponto de se tornar especialíssima para o mundo inteiro, sendo aclamada e reconhecida por nós como bendita e bem-aventurada entre todas as mulheres que passaram por este mundo.
Ela que não é tida por nós nem como deusa, nem semi-deusa, mas uma criatura que soube encontrar em Deus a perfeição e nos chama a seguir o mesmo caminho, assumindo o seu modo de viver, o seu testemunho, para que possamos continuar acendendo ao mundo não só a esperança, mas também a fé, que nos faz reconhecer a ação providente de Deus, mesmo diante das situações difíceis e inevitáveis que vão fazendo parte do nosso cotidiano. Por isso essa imagem do livro do Apocalipse, daquela mulher grávida que sofre não só as dores do parto, mas as dores da perseguição. E nesta imagem do Apocalipse, concebemos a imagem da Igreja, que nos primeiros séculos vivendo a perseguição por parte daqueles que queriam oprimir e sufocar a fé em Jesus, se mantém firme em Deus contando com a sua ação providente. No coração da Igreja, contemplamos a feição de Maria, a escolhida, mas não a privilegiada.
Muitas vezes pensamos que por ter sido escolhida, Maria teve maiores privilégios que os comuns dos mortais. Não é bem assim não! Maria fez de sua vida um contrato de riscos, diante de tantas situações que ela viveu, inclusive quando no episódio da perda de seu filho no tempo, ela sente a dor da perda maior do seu filho até chegar a perda do seu filho aos pés da cruz. Um coração confiante, cheio de fé, mas sempre traspassado pela espada da dor. É ela que nos ensina a percorrer na vida um caminho de alegrias e dores.
Como os santos na Igreja vão dizer: “Caminhamos nesta vida, entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus”. Isso quer dizer que mesmo vivendo as consolações de Deus, não estamos isentos do sofrimento e dos percalços e das maiores dificuldades que podem aparecer no nosso caminho.
Semelhante a mulher do Apocalipse que ainda continua perseverando diante da dor, porque ela vê no seu parto uma realidade nova, a libertação, assim todos nós cristãos caminhamos sempre pressurosos pelos caminhos deste mundo procurando a satisfação maior de reconhecer a presença de Deus que caminha e faz história conosco, como caminhou com Maria, e no episódio de São Lucas evangelista, nos deixa um grande testemunho pela visita que ela fez à sua prima Isabel, já idosa e necessitada de cuidados especiais. Só alguém muito especial para reconhecer as necessidades dos outros e saber a hora de se fazer especial à outra através do serviço. Às vezes ficamos pensando na vida de Nossa Senhora em tudo o que ela fez e praticou, e algumas se antecipam a dizer: “Mas também, é Nossa Senhora!” É bom ter presente o seguinte o seguinte questionamento: Será que Maria foi especial só porque ela foi escolhida por Deus? Não teria sido o inverso? Ela foi escolhida por Deus por que era especial e não o contrário, foi especial só porque foi escolhida por Deus. Isso faz uma diferença muito grande, pois ensina a nós que no dia a dia Deus não escolhe alguns para que sejam especiais. Na verdade, se Deus escolhe é porque já são especiais. E a sua especialidade é que vai fazer a diferença. É o que fez Maria, nesta visita, nos ensinando o testemunho do serviço, da disponibilidade e da prontidão.
Hoje, encerrando a festa de Nossa Senhora da Piedade, podemos dizer sem medo de errar, que esta festa só pode atingir o seu êxito através do serviço de tantas pessoas generosas que há meses estão nessa preparação, trabalhando para que esta festa transcorresse da melhor forma possível. Ouvindo a narração evangélica da visita de Nossa Senhora à Santa Isabel, podemos fazer memória de tantas outras visitas necessárias para culminar nessa visita de hoje: visita de noveneiros na casa das pessoas, arrecadando prendas e donativos para a festa, visita da comissão de festa para ganhar um bezerro, uma doação ou uma prenda que seja, visita da imagem peregrina de Nossa Senhora nas comunidades da Paróquia preparando para essa visita maior de hoje. Se analisarmos, para essa visita muitas outras visitas também foram importantes e especiais para que esta de hoje se tornasse a visita especial de todas as outras visitas.
Assim compreendemos que o serviço para acontecer, é preciso a alegria de um coração servidor, como fez Maria permanecendo com sua prima Isabel, elevando a Deus este cântico de gratidão. Será que somos tão agradecidos a Deus por tudo aquilo que ele faz e proporciona em nossa vida? Pelas visitas que ele faz a nós quer reconheçamos ou não? A maioria das visitas que Deus faz a nós não tem tanto barulho ou estardalhaço, são visitas até anônimas, mas são visitas que não deixam de acontecer. Visitas que nos fazem parar um instante para refletir senão é hora de conversão, de mudança de vida ou atitude, de por a mão na massa e fazer o Reino acontecer.
Nós encerramos a festa de hoje, mas o trabalho continua a Jesus, à Igreja, ao Reino. Não podemos resumir o trabalho na Igreja num dia do ano. Muitas outras visitas vão ser necessárias ainda, para que essa visita de hoje continue produzindo frutos. Nós e vocês, devotos e romeiros, que vieram visitar este Santuário, na verdade são vocês que recebem hoje a visita de Nossa Senhora, pois antes de chegar em casa, ela já chega primeiro. Ela que se antecipa, pois a sua visita é sempre evangelizadora, ela nunca vai sozinha. Ela sempre leva Aquele que é a razão do seu caminhar, da sua chegada e partida: o próprio Jesus. Na visita do evangelho, é Maria caminhando pelas estradas do mundo para levar Jesus. Agora na Assunção, é Maria acolhida na eternidade, no céu sendo levada por Cristo para abrir novos caminhos para que todos um dia, pelo serviço, também possam chegar ao céu.
Façamos como Maria, elevando a ela mesma, modelo de serviço e de servidora, a nossa prece de gratidão a Deus por esta festa de hoje:

Ò Mãe da Piedade e do Serviço, concede-nos a graça de cada dia a mais levar a Palavra de Jesus e que é Jesus aos nossos irmãos, especialmente aos que estão em situação de sofrimento, àqueles que desejam pelo nosso encontro acreditar mais em Deus. Perdoa nossa indisponibilidade, nossa recusa em colocar nossos dons a serviço do vosso Filho. Que a partir de hoje, desta visita e deste encontro convosco, possamos ter sempre a alegria e a vontade de um dia nos encontrarmos convosco.

Rogai por nós ó Senhora da Piedade: para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Homilia proferida pelo Pe. Clemildes Francisco de Paiva
(Missa às 17h30)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração" (Lc 12,34)>

Amigo(a) internauta

Jesus continua insistindo na liberdade de filhos e filhas de Deus para viver e testemunhar a fé. O apego exagerado aos bens, a ganância e o egoísmo dificultam nossa relação com Deus e com os irmãos. É preciso buscar uma riqueza maior, que nem a traça e a ferrugem podem correr. A fé é esse tesouro valioso e a maior herança que um pai pode deixar para o seu filho.
Celebrando o dia dos Pais, recordamos o exemplo de Abraão, o grande Pai da Fé, que com disponibilidade se põe a serviço da Vontade de Deus: "Sai da tua terra e vai para um terra nova, onde eu indicar". Abraão vê no chamado de Deus uma promessa de vida nova e de bênçãos da parte do Senhor: "Eu te darei uma descendência tão numerosa quanto as estrelas dos céu e as areias do mar".
A Carta aos Hebreus sinaliza para o significado da fé: "a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem". E em seguida, exemplifica, exaltando a grandeza de espírito de Abraão, que não recuou, mas confiou em Deus. Um episódio belíssimo para meditar sobre as consequências da fé é o sacrifício de Isaac. Também nesta situação, a fé de Abraão foi provada e comprovada.
o Evangelho segue na mesma direção, quando Jesus conta a parábola do Patrão que confia aos seus administradores o cuidado dos seus bens e sai para uma festa de casamento. Ao voltar, ele deseja encontrar seus servidores na alegre vigilância e ele mesmo se colocará ao serviço deles. Esta parábola aponta para a iniciativa de Jesus em fazer uma aliança de vida, de fé e amor para conosco. Nós somos a Igreja, vocacionada a se desposar com Ele, o Esposo que dá a vida pela amada.
O Serviço será expressão de vigilância na fé, aguardando o dia da Vinda de nosso Senhor.
Não há outro modo de vigiar senão for na fidelidade ao serviço. Não há prova de fé senão houver a antecipação do coração em se lançar confiantemente nos braços de Deus, sem ter todas as certezas e todas as respostas para o que procuramos ou nos propomos a fazer.
A alegria de servir é o que fortalece a nossa fé. Como ficamos admirados quando no trânsito nos deparamos com pessoas que desrespeitam o direitos dos outros, quantos motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas que agem com falta de educação e indelicadeza para com os outros. Isso assistimos todos os dias. No ônibus, na filas dos supermercados, em diversos ambientes que frequentamos. Automaticamente, vem em nossa cabeça: "Puxa, que falta de educação! Essa pessoa não teve educação de seus pais?". E todos somos unânimes em dizer: "Educação vem do berço!".
Ora, o mesmo ocorre com a fé! A fé também vem do berço. Então porque tem tanta gente que ainda não acordou a sua fé para um compromisso maior com Deus e com a sua Igreja?
Aqui sentimos a grande responsabilidade que os pais tem em tornar visivel e crível a fé que testemunham aos seus filhos.

Para isso, vale lembrar que as nossas atitudes e gestos revelam a nossa fé. No dia dos Pais, nada melhor do que recordar aquela canção "Couro de Boi". Um grande ensinamento para a necessidade da prática do acolhimento e do testemunho da fé.

Por isso, aqui vai uma das histórias que ainda continuam ocorrendo em nossos dias:

Um velho com seus rostos cansados, marcados por rugas profundas pelos anos de muito trabalho e sofrimento. Deu duros todos esses anos para formar seu filho advogado e sentia orgulho por ver seu esforço recompensado, ele estava formado e muito bem de vida.
Não podendo mais trabalhar e com sua esposa já falecida, foi morar com seu filho casado, e com dois netos. Sua vida ali não era fácil, era rejeitado, humilhado, criticado pela sua nora, que não queria ter trabalho ainda mais com um velho que era seu sogro e que ela não sentia o mínimo de afeto.
As brigas entre o casal eram constantes, e o alvo era sempre o velho, que a tudo ouvia, e cada vez mais tentava se isolar quando sua nora aparecia.
Ela tanto fez que o marido para não ter mais brigas tomou uma atitude.
Chamou seu velho pai e disse:
__ Pai tome esse cobertor para o senhor se abrigar e gostaria que fosse embora desta casa, não agüento mais as brigas com minha mulher.
O velho de cabeça baixa e os olhos cheios de lágrimas foi saindo, andando com passos lentos pelo peso da idade.
Ele só pensava onde iria arrumar um asilo para morar, até quando ele fosse se encontrar com sua esposa.O neto menor que tudo ouvia, com os olhos marejados de lágrimas abraça o avô e pediu:
__ Vovô, eu te amo, o senhor pode me dar à metade do seu cobertor?
O velho não entendeu o pedido, mas partiu o cobertor ao meio dando uma parte ao neto.
O menino voltou para dentro de casa e foi direto para onde se encontravam os pais.
Vendo o filho com um pedaço do cobertor perguntaram:
__Filho esse cobertor é de seu avô.
O menino com um olhar triste e cheio de mágua, com o rosto banhado de lágrimas fitando-os falou:
__ Eu pedi metade do cobertor, porque vocês irão ficar velhos e eu vou guardá-lo para lhes dar como fizeram com meu avô.

A partir dessa parábola da vida familiar, o que o Senhor pede de mim?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus" (CL3,1)

Amado(a) irmão(ã)

A Palavra de Deus propõe para nós uma reflexão, um verdadeiro discernimento quanto à nossa relação com os bens materiais. Longe de criar uma cultura pessimista em relação aos bens, o Senhor espera que nós possamos descobrir na modéstia e na sobriedade um modo de ser. Enquanto muitos se preocupam com o ter e com o aparentar (o que aparenta ser mas na verdade não é), nós cristãos devemos nos primar pelo SER.
Por isso a 1ª leitura (Ecle 1,2; 2,21-23) vai dizer: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". A maior vaidade do ser humano é querer colocar todas as suas esperanças e aspirações nos bens materiais. Eles não são sinônimo nem garantia de felicidade.
O Evangelho (Lc 12,13-21) evidencia o quanto que a cobiça e a ganância podem corromper o coração humano. O próprio Jesus vai dizer que "a vida de um homem não consiste na abundância de bens". Jesus conta a parábola do rico insensato que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante, pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente. Essa é uma grande ilusão pois depois que morrer vai se apresentar de mãos vazias diante de Deus. Como diz o ditado: "Nosso caixão não tem gavetas". E mesmo se tiver, nada levamos conosco.
Para refletir no alcance que esta Palavra tem em nossa vida aqui deixamos uma parábola intitulada "O Rei e as quatro esposas":

AS QUATRO ESPOSAS

Era uma vez um rei que tinha 4 esposas. Ele amava demais a 4ª esposa e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor. Ele também amava muito sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos. Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei. Ele também amava sua 2ª esposa. Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela, para atravessar esses tempos de dificuldade. A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito rico e poderoso, ele e o reino. Mas ele não valorizava muito a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.
Um dia, o rei caiu doente e percebendo que seu fim estava próximo, pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou: "É, agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, eu ficarei sozinho... Então resolveu chamar as suas esposas começando por aquela que ele mais tinha todos os seus caprichos. E ele perguntou à 4ª esposa: - "Eu te amei tanto, querida, te cobri das mais finas roupas e jóias. Mostrei o quanto eu te amava, cuidando bem de ti, satisfazendo todos os teu desejos. Agora que eu estou morrendo... tu és capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho? "De jeito nenhum!" respondeu imediatamente a 4ª esposa, saindo do quarto sem sequer olhar para trás. Aquela resposta cortou o coração do rei como se fosse uma faca afiada.
Decepcionado com a 4ª esposa, o rei então perguntou à 3ª esposa: "Eu também te amei tanto a vida inteira, deu-te tantas alegrias e o prazer de conhecer tantos reinos viajando comigo, agora que eu estou morrendo, diga-me com sinceridade: “és capaz de morreres comigo, para não me deixares sozinho? "Não!!", respondeu a 3ª esposa. "Tenho muitos outros lugares para conhecer, sou muito nova e além disso, a vida é boa demais! Quando morreres, eu vou é me casar de novo"... O coração do rei sangrou e gelou, de tanta dor...
Então, mandando chamar a 2ª esposa, disse-lhe: "Eu sempre recorri a ti quando precisei de ajuda. A nenhuma outra pessoa confidenciei tantos segredos e tu sempre esteves ao meu lado. Por isso diga-me, com o coração sincero: “Quando eu morrer, tu serás capaz de morrer comigo, para me fazeres companhia”? Com vontade de mentir, mas olhando nos olhos do rei, disse-lhe: “Sinto muito, mas, desta vez, eu não posso fazer, o que me
pedes!". O máximo que eu posso fazer... é realizar um majestoso funeral, como nunca houve antes". Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei e ele ficou arrasado. Aos prantos, o rei começou a soluçar de tanto chorar.
Em meio aos berros e soluços, uma voz se fez ouvir "Eu partirei contigo e te seguirei por onde fores...”. O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha, tão mal nutrida,...tão sofrida. Com o coração partido o rei falou: "Eu deveria ter cuidado muito melhor de ti, ter te amado mais que tudo e mais que todos, enquanto eu ainda podia...".

Na verdade... nós todos temos 4 esposas em nossa vida...
Nossa 4ª esposa são nossos bens, nossas posses, nossas propriedades, nossa riqueza... Quando morremos, tudo isso vai para os outros...
Nossa 3ª esposa é o nosso mundo. Apesar de todos os esforços que fazemos para ter um mundo mais bonito, mais cheio de amor e de paz, nós o deixaremos quando morrermos...
Nossa 2ª esposa são nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre nos apoiando, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar...
E nossa 1ª esposa é a nossa VIDA... muitas vezes deixada de lado... por corrermos atrás da Riqueza, do Poder e dos prazeres do nosso ego... A vida vivida só traz sofrimento e desolação. A Vida que tivemos é a única coisa que sempre irá conosco, não importa onde formos. Como diz o velho ditado, “Da vida só levamos a vida que levamos”...

PARA REZAR:


Nesta primeira semana refletimos sobre a vocação para os ministérios ordenados na Igreja: Diácono, Padre e Bispo. Iniciando o mês vocacional, queremos descobrir a
beleza e a importância deste serviço ministerial na Igreja de Jesus hoje.

domingo, 25 de julho de 2010

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM


"Pedi e recebereis, procurai e encontrareis, batei e vos será aberto" (Lc 11,9)

Caríssimo(a) irmão(ã)

A Palavra do Senhor neste domingo nos leva a descobrir a importância e a preciosidade da Oração para a nossa vida cristã. Não raras vezes temos o hábito de transformar nossas orações num pedição sem tamanho, multiplicando novenas pra cá e pra lá. A Oração tem diversos aspectos: súplica, intercessão, pedido de perdão, louvor e agradecimento. Isso quer dizer, que nós precisamos fazer da oração um exercício de intimidade com o Senhor, em todos os momentos e estações da nossa vida.
O diálogo de Abraão com o Senhor, na primeira leitura (Gn 18, 20-32) revela o amor paciencioso de Deus, disposto a dar sempre uma nova chance para o povo corresponder à sua Vontade.
No Evangelho (Lc 11, 1-13), os discípulos manifestam o desejo de rezar. Jesus ensina-lhes a oração do Pai-nosso. Mais que uma fórmula ou oração, Jesus ensina-lhes um novo modo de se relacionar com Deus. Ele rompe com as barreiras e as imagens a respeito de Deus. Ele propõe que seus discípulos criem uma intimidade, uma proximidade com Deus chamando-O de Pai. Jesus fez tudo isso para nos aproximar mais de Deus e nós? Da nossa parte temos procurado experimentar pela oração essa proximidade com o Senhor e o desejo de realizar a Sua Vontade?
Se não tomarmos o devido cuidado, podemos deturpar a oração: Quantas vezes queremos que Deus realize nossas vontades, queremos colocar Deus na palma de nossa mão? A oração é justamente o contrário: é nós que devemos nos lançar nas mãos generosas de Deus e não o contrário.
E qual o valor damos para os momentos de oração pessoal e comunitário? A Celebração da Palavra (Culto), os Círculos Bíblicos, o Ofício Divino, o Terço, novenas, grupos de oração tem sido valorizados como momentos significativos para sentir os apelos de Deus na minha vida? Não raras vezes podemos não dar o devido valor para estes momentos fortes na vida comunitária. E no ambiente familiar nossa família tem dedicado alguns momentos para a oração? Os pais tem ensinado seus filhos a rezar? Estas e outras perguntas devem nos fazer refletir seriamente no valor que damos à oração e no que ela poder realizar na vida de todos nós.
Os místicos da oração nos ajudam a compreender a sua eficácia na nossa vida. A santa e filósofa Edith Stein dizia: "no diálogo de uma alma com Deus germinam as grandes idéias capazes de transformar o mundo". Já pensou que poder de transformação tem a oração. Ora, se queremos ver transformados o nosso mundo, a nossa família e inclusive o nosso ambiente de trabalho, tal transformação começa através da oração.
E o Santo Cura D'Ars, São João Maria Vianney, dizia "conheço uma força mais poderosa que Deus no mundo - a oração". De fato, Deus se derrete diante de uma alma suplicante. Deus se desmancha de amor quando nos entretemos com Ele pela oração.
Abramos o coração para experimentar o amor de Deus e o seu convite para permanecer sempre na sua presença pela oração e para que Ele continue sendo Deus em nós...